sábado, 1 de agosto de 2009

Eu voltei... chei de emoções... eu voltei

Angústia, Salvador Dalí

DO FILHO QUE NÃO NASCEU

Não é possível que atrás desses belos olhos
Você não enxergue na janela uma mão que acena
Não é possível que nesses belos versos
Você seja rude e duro como a pedra que atirou em minha porta...

Não haja como se nada aconteceu
Pare de olhar com esses belos e rudes olhos claros
Chega dessas noites sem dormir ao calor da chama do meu cigarro
Chega do sabor amargo do conhaque solitário, chega!

Agora, papéis e caneta nas mãos
Uma taça de vinho seco, seco como nosso amor
É tudo o que torna minha existência existente
É tudo que exclui o que foi cravado e que brotou

Agora choro frente o espelho
Choro com o filho nos braços, o filho que não nasceu
O filho que jamais nascerá desse amor impotente e inerente
Choro lágrimas de esperança

Esperança de dançar na corda bamba de seu coração
Esperando a música de nós dois mostrar-me um tom
Espero que não seja um tom fúnebre
Mas isso, o destino dirá...

Sem esse amor seguirei, como sempre
De arte, vinho e tabaco
De Degas, Elis e Teatro
Cinema, vida e som. Amém.



Juhx Kyakyo

Um comentário:

Nefelibata disse...

miga..... AMÈM!!!!!!!!!!!!!

 


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